Sobre frustrações e desejos

Acredito que seja inevitável sofrer frustrações eventuais. Ninguém é completamente pleno e bem resolvido com a vida a ponto de nunca sentir nada negativo, como inveja, raiva, ansiedade e frustração. É natural sentir isso. O que muda é como lidamos com esse tipo de sofrimento.

Por muito tempo senti uma frustração que ganhava proporções que nunca imaginei que chegariam a ganhar. Quando eu decidi não cursar história na graduação (e eu não sei bem como, mas isso foi decidido em algum momento dos meus 16 anos), pensei que esta seria uma página virada.

Eu passei minha infância e a maior parte da adolescência acreditando que cursaria história. Meu sonho ia ainda mais longe do que isso: eu queria ser egiptóloga. Já tinha traçado uma rota de onde estudaria, a graduação seria em SP e as especializações, no RJ. Depois, estudaria no Egito e na França. Estava tudo desenhado e eu estudei muito para que acontecesse.

Mas, no fundo, eu sabia que eu, uma menina de família sem muitos recursos, não conseguiria ir tão longe. Sempre estudei muito e tirei notas altas, mas o resto parecia tão complicado. Então, em vez de tentar, o que eu fiz? Desisti. Simples assim.

Virei a página, cursei algo muito diferente, fui para a área da tecnologia que tanto acreditei que seria um caminho de sucesso. Mas, no fim, o que é o sucesso senão a sensação de realização plena? Eu não estava realizada. Nem perto disso. No meio da minha graduação quase desisti e fui para o curso de design gráfico. Acabei não indo pois sabia como seria difícil caso eu desistisse. Eu não teria uma segunda chance. Já tinha bolsa do Prouni e não poderia pagar por conta uma graduação. Na minha cidade também não tem universidade pública.

Assim, fui até o fim. Pensei que poderia corrigir meu erro parcialmente me especializando em interfaces gráficas. Tentei mestrado, passei. Não tive dinheiro para cursar, era em outra cidade e particular. Continuei tentando.

Depois de umas 5 ou 6 tentativas de passar no mestrado frustradas e uma pós em design gráfico quase no fim, desisti. Não aguentava mais aquela vida. Era frustração atrás de frustração e, cada vez mais, acreditava que o erro estava se agravando.

Mas, na época, eu estava estabelecida em um emprego que me pagava o suficiente para arriscar. Então, foi o que eu fiz. Mudei radicalmente de área e entrei para o mestrado em história. Agora, a cada aula sinto uma plenitude que não sentia há muito tempo. Parece que, finalmente, estou fazendo o que realmente amo. E é só o começo.

Quem sabe meus antigos sonhos não venham a se realizar de alguma forma. Quem sabe um dia eu consiga estudar especificamente o Egito Antigo. Quem sabe o que será do amanhã. Só sei que não quero mais me arrepender sem ter tentado.

Fonte da imagem: Freepik

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