3 livros de ficção para quem ama história

Eu sempre fui muito fã de história, mas existem alguns trabalhos de ficção que não consigo gostar, muitas vezes porque os fatos, patrimônios e relações sociais são modificados a ponto de nada ter mais sentido histórico na obra.

Por outro lado, existem diversos trabalhos de ficção, sejam livros, filmes ou o que for, que trabalham muito bem com a história, mesmo que tirem suas licenças poéticas e tenham algum erro histórico. É claro que sabemos que esse tipo de material é feito para entretenimento, então não existe muito compromisso com a história, assim como ficções científicas não mantém laços muito restritos com a física moderna.

Assim, decidi mostrar para vocês 3 das minhas obras literárias preferidas que envolvem história e eu acho que realmente valem a leitura. São livros que me entretiveram muito e me levaram a buscar mais sobre a história real dos acontecimentos e civilizações. Eles não estão organizados em ordem de gosto, porque não consigo decidir, mas o que vale é a intenção.

1) O Servo dos Ossos – Anne Rice

Eu já falei sobre o livro assim que o li aqui. Então, tentarei ser breve. O que torna “O Servo dos Ossos” especial, no meu ponto de vista, é toda a representação da Babilônia que a autora faz durante a primeira parte do livro. Contextualizando rapidamente, a história é contada por um ser não-humano para um historiador que a transcreve a partir de um nome fictício para si próprio, com o objetivo de não estragar sua reputação.

Esse ser conta que já foi humano, quando era vivo na antiga Babilônia. Ele faz, então, uma rica descrição da vida lá, da religião, das riquezas, demonstrando o quanto amava a Babilônia, mesmo que sua família fosse hebraica. Azriel, o ser até então humano, conta que conseguia conversar com o deus Marduk, em cerca de 539 a.C. Este deus realmente faz parte do panteão babilônio. Outro fato histórico importante é que a história se passa no limiar da queda da Babilônia, quando ela conquistada pelo persa Ciro, o grande.

A história eventualmente cobre outros momentos até chegar à década de 1990, o presente da história. Mas, não há como ficar impressionado com toda a mistura que Anne Rice conseguiu fazer neste livro. Existe história, terror, drama e sobrenatural, além de romance, mistério, vingança. Mas, por mais incrível que pareça, isso deu certo. E eu, que já era fã demais da autora, elegi “O Servo dos Ossos” meu livro preferido entre todos os outros livros dela que já li.

2) As Brumas de Avalon – Marion Zimmer Bradley

“As Brumas de Avalon” é uma série de quatro livros que ocupa espaço especial no meu coração. Eu era realmente muito nova quando li (devia ter uns 13 ou 14 anos), mas nunca me esqueci da trama. Ela acabou se tornando minha versão preferida do mito arturiano até o momento.

A história é uma releitura do mito do rei Arthur colocando em protagonismo a Morgana, meia-irmã do Arthur que é colocada como a grande vilã das lendas arturianas. Mas em “As Brumas de Avalon” ela é a protagonista e Bradley conta a sucessão de eventos a partir da visão de Morgana, demonstrando sua inocência e suas tentativas de fazer a história acontecer de maneira diferente do que o que foi previsto pela Senhora do Lago, sua tia Viviane.

Vemos todos os nomes famosos da lenda de Arthur, como Guinevere, Lancelot e Merlim, além de outros tantos personagens menos conhecidos para o público em geral, mas que aparecem na história do mito. Existe, mais uma vez, uma mistura de sobrenatural com o real, Morgana é uma feiticeira, de fato, mas não aquilo que retrataram diversas vezes: uma bruxa má com caldeirão, fazendo feitiços e poções para matar Arthur.

Vemos, por outro lado, a Morgana como mulher, que não teve opção a não ser engravidar do próprio irmão sem saber que era ele, ela usa seus feitiços (que são muito mais condizentes com a realidade do que os de Harry Potter) eventualmente, apenas quando necessário. Vemos ela lutar pelo que acredita, amar e não ser correspondida, sofrer quando seus iguais vão contra o que ela quer. Ela é solitária e muito do que ela fez pode ser justificado através da escrita de Bradley, criando uma empatia que nunca pensei que fosse sentir pela personagem.

A história é complexa, às vezes pesada, mas interessantíssima. Há paralelos históricos que podem ser feitos e no fim eu já estava desejando que esta versão fosse a principal da lenda arturiana, mesmo que a lenda nunca deixasse de ser apenas isto, uma lenda. Existe uma versão de filme para a TV da obra com o  mesmo nome, confesso que não gostei tanto quando assisti, mas talvez dê uma chance em algum momento no futuro.

3) Ramsés – Christian Jacq

Aqui na verdade eu sugiro “Ramsés” por ser a série mais popular do Christian Jacq, mas poderia indicar qualquer outra obra do autor. Isto porque o autor é um egiptólogo francês e faz de suas ficções tramas que você realmente gostaria que tivessem sido do jeito que ele escreve. Também há a certeza de que ele sempre busca basear seus argumentos literários na história real, mesmo que as coisas não tenham acontecido exatamente como ele descreve (seja porque não se descobriram detalhes ainda, ou mesmo uma licença poética da parte do autor).

Eu confesso que até hoje não terminei a série “Ramsés”, que é composta por 5 volumes. Li apenas os dois primeiros volumes, que são “O filho da luz” e “O templo de milhões de anos”. A série, lançada em 1995, retrata a vida do faraó Ramsés II, um dos mais famosos faraós egípcios na atualidade. Ramsés teve um dos mais longos reinados do período faraônico, governando até seus 89 anos, e todo este período é coberto nos 5 volumes da série de Christian Jacq.

O primeiro volume trata da época em que Ramsés ainda era um príncipe, desde sua infância até juventude, quando recebeu conhecimentos de seu pai, Seti I, e conheceu e casou com Nefertari, que viria a se tornar rainha. Já o segundo volume relata a posse de Ramsés, a construção da capital de Pi-ramsés pelos hebreus e do seu templo Ramesseum, além das inúmeras tentativas de Chenar, irmão de Ramsés, de destroná-lo e tornar-se faraó. Tudo muito bem construído, misturando realidade histórica e ficção do jeito que eu adoro.


Eu acho que não sei mais fazer posts pequenos, gente. Se você conseguiu chegar até aqui, muito obrigada! E não deixe de comentar quais livros destes vocês já leram e me indiquem quais são seus livros preferidos que misturam história com ficção! :)

Kawaii Box - The Cutest Subscription Box

Antigo Egito Babilônia leitura livro recomendação Rei Arthur romance suspense terror

Deixe uma resposta