Primeira missão arqueológica brasileira no Egito

Aqui está uma notícia que fez minha semana. Antes de mais nada, deixem-me contextualizar. Recentemente realizei um sonho de uma vida inteira. Estou estudando história no programa de mestrado da Universidade de Passo Fundo! Desde muito pequena desenvolvi um interesse imenso em história e, mesmo que eu tenho deixado ele adormecido por um bom tempo, nunca deixei de ter vontade de estudar história e, eventualmente, ensinar e viver dela.

Entre meus tópicos preferidos no vasto campo da história está uma das suas ciências auxiliares, a arqueologia, mais especificamente, a arqueologia egípcia. O antigo Egito causa fascínio no mundo há gerações, e continua causando graças às descobertas arqueológicas feitas eventualmente. Recentemente, estátuas do período Ramséssida (o mesmo em que viveu aquele que talvez seja o mais famoso faraó da história, Ramsés II) foram encontradas em local desconcertante – em meio ao esgoto e lixo em El-Mataria (Cairo), antiga Heliópolis – e cercada de controvérsias por causa dos métodos utilizados na retirada das estátuas do local e sua conservação, trazendo novamente para os holofotes mundiais a arqueologia egípcia.

A boa notícia da vez é que o Brasil teve sua primeira missão arqueológica no Egito iniciada este mês. Dia 11 de março de 2017 foi a data que marcou o início das atividades do programa chamado de Brazilian Archaeological Program in Egypt (Programa Arqueológico Brasileiro no Egito), sob a direção do pesquisador brasileiro Dr. Prof. Jose Roberto Pellini da Universidade Federal de Sergipe (UFS). O programa ficou responsável por analisar as tumbas tebanas TT-123 e TT-368 no chamado Vale dos Nobres, na localidade de Sheikh Abd El Qurna, na margem oeste no Nilo, em Luxor, no Alto Egito. A missão ocorre em parceria com o Centro de Documentação do Serviço de Antiguidades Egípcio.

As tumbas estudadas pertencem à um escriba, Amenemhet, que foi supervisor do celeiro e contador de pães durante o reinado de Thutmosis III (1504 a 1450 a.C.), e Amenhotep, supervisor dos escultores do deus Amon na parte sul da cidade de Tebas, então capital do Egito. Ambos viveram na 18ª dinastia faraônica, e suas tumbas estão ligadas por uma passagem.

O trabalho da equipe brasileira consiste em escavação, restauração, estudos de egiptologia, documentação, e análise e mapeamento dos arredores. As partes de conservação e documentação serão realizadas em conjunto com especialistas egípcios. O projeto deverá durar de cinco a seis anos.

A notícia é muito animadora para aqueles que desejam participar de uma escavação no Egito. Já houveram brasileiros trabalhando em escavações comandadas por universidades de outros países (são cerca de 30 fazendo pesquisa arqueológica no Egito atualmente), mas esta é a primeira vez em que o Brasil tem sua própria missão. Ela, é claro, abrirá precedentes para futuros programas se desenvolverem e oportunidades para profissionais trabalharem em sítios arqueológicos egípcios no futuro.

Fico imensamente feliz pela oportunidade que o Brasil está tendo e espero um dia poder ao menos visitar um sítio arqueológico estudado por brasileiros no Egito.

Deixo algumas imagens da missão abaixo:

primeira_missao_arqueologica_brasileira_no_egito_bape_02

primeira_missao_arqueologica_brasileira_no_egito_bape_03

Fontes: Arqueologia Egípcia e Agência de Notícias Brasil-Árabe (ANBA), Imagens: Reprodução.

Antigo Egito missão arqueológica

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